Tecendo a Trama

Espaço pra contar histórias e dividir impressões sobre o lido, assistido, inventado, experienciado, cantado ou ouvido. Tecendo a trama do cotidiano.

Curta – JANAXPACHA 3D

Por Ana Lucia Gondim Bastos

“Quem dança não é o que levanta poeira;
quem dança é aquele que inventa o seu próprio chão”
Provérbio moçambicano

Tem lugares, no mundo, que de tão belos e inusitados parecem, mesmo, fruto da imaginação. Lugares encantados, onde, chegamos a ter certeza, de que lá, tudo pode acontecer. Lugares que parecem completamente descomprometidos com o princípio da realidade, apesar de presentes na cartografia do continente ou nos guias turísticos. Lugares nos quais, mesmo acordados, estamos sempre num universo onírico ou surreal, de todo modo, regidos por algo que escapa à razão. A bailarina Katherina B Tsirakis deve ter sido tomada por uma impressão dessas, ao conhecer o Salar de Uyuni, na Bolívia. Na pré estréia do curta, que assina junto com Dimitre Lucho, disse que, ao chegar lá, pela primeira vez, só pensava que precisava dançar aquele/naquele lugar. E, assim, nasceu o roteiro que foi filmado, como é de se imaginar, com muita dificuldade e superando inúmeros desafios.

Janaxpacha (2016) juntou, então, o sonho de muita gente, inclusive os dos surrealistas Magritte e Dali, que vieram muito antes dele. Também o nosso sonho de poder entrar nas obras de tais mestres do insólito. O fato de o filme usar o recurso 3D, faz toda a diferença, pois podemos alcançar a maçã de Magritte ou despencarmos, junto com seus homens de chapéu-coco, numa paisagem toda azul e branca. Quem nos possibilita tudo isso é um viajante que cruza o deserto e acaba por encontrar a guardiã de Thunupa. Aí as paisagens de cores quentes começam a contrastar com as de cores frias, mas essas últimas não são de neve, e sim, de sal! É, só pode ser um sonho… Só pode ser dançado, pois nos falta palavras… Katherina tem razão. Katherina e a guardiã de Thunupa, elas duas (ou ela só) tem toda razão, não dá para se pretender razoável num lugar desses. Ou, pelo menos, o Salar de Katherine tem mais poesia, menos gravidade e, sem dúvida (Herbert Vianna concordaria comigo), merecia, mesmo, a visita de bailarinos, muito mais do que a de militares.

Parabéns para equipe toda do filme, o Salar de Uyuni merecia ser poetizado! Só assim, a gente até chega a acreditar que existe fora da gente!

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Publicado em 12 de novembro de 2016 por .
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