Dois Estranhos: cenas repetidas do racismo estrutural cotidiano

Por Adriana Domingues, Ana Lucia Gondim Bastos, Jaquelina Imbrizi e Julia Bartsch

Dois Estranhos, com o título original de Two Distant Strangers (Dois Estranhos Distantes – poderíamos dizer, ainda mais adequado), dirigido por Travon Free e Martin Desmond Roe, é um curta, quase um média-metragem de 32 minutos. Vencedor do Oscar nesta categoria, em 2021, traz à tona uma temática que, mais do que nunca, vem exigindo não apenas reflexões sobre, mas muitas ações contra: o racismo. Mais do que isso, o racismo estrutural que faz com que histórias se repitam e repitam, infringindo um círculo de violências dos mais diversos tipos e formas por conta de um fator específico: a cor da pele.

O filme apresenta tanto um modo inovador quanto uma maneira antiga de contar a triste história do racismo na contemporaneidade. O novo está na tentativa de reproduzir em linguagem cinematográfica o que se passa nos sonhos traumáticos: a repetição da cena “violenta” que pegou o sujeito de surpresa e produz angústias inomináveis no sonhante e que se repete a cada noite. Em seu texto de 1920, Freud (2010a) reformula a sua teoria dos sonhos em função de uma nova modalidade do sonhar que, ao invés de proteger o sono, visa elaborar o acontecimento traumático e despertar o sonhante do seu sono intranquilo produzido pelo horror da guerra ou por algum acidente ferroviário à época. A despeito do fato de que os primeiros a apresentarem este tipo de sonho eram os soldados que voltavam da primeira guerra mundial, que rememoram no espaço onírico a encenação atroz dos períodos de guerra. O sujeito repete a mesma cena onírica, em várias noites consecutivas, e visa conquistar uma posição subjetiva ativa frente à violência vista e sentida em um mundo sem lei nas trincheiras. O mesmo sonho noturno no qual as cenas se repetem parece funcionar com o objetivo de que o sonhante retome uma posição subjetiva ativa frente ao que causa dor, de modo a montar outra cena, diferente daquela na qual a experiência foi vivida de modo passivo. Freud enfatiza em seu texto o que acontece no espaço intrapsíquico do sujeito que sonha com os seus próprios infortúnios. Há a guerra, no caso a primeira grande guerra, que naquele contexto histórico desmistifica a ideia de humanidade ao explicitar a crueldade entre os homens. Mas, o foco do texto é a repetitividade circular das energias intrapsíquicas. É somente no texto sobre as neuroses de guerra que o psicanalista revela também o conflito entre o Eu e o mundo externo. Freud afirma que: 

Nas neuroses traumáticas e de guerra, o Eu do indivíduo se defende de um perigo que o ameaça desde fora, ou que é corporificado numa postura do próprio Eu; nas neuroses de transferência, o Eu toma a sua própria libido como um inimigo, cujas reivindicações lhes parecem ameaçadoras. Em ambos os casos o Eu teme ser ferido, neste último, pela libido; naquele pelos poderes externos (Freud,1919/2010b, p.387-388).

Portanto, há que se dar destaque também ao que acontece repetitivamente no mundo externo, no contexto histórico e social, as ações que reproduzem a violência entre os homens e entre os homens e as mulheres. O racismo é um tipo de violência explicitada no cotidiano revelando as relações de poder que ocorrem na sociedade. E qual é a cena de violência que se repete no filme?

O nosso protagonista vive a repetição da cena de sua morte “acidental” pelas mãos e armas de um policial, a cada manhã. Há a referência explícita ao “ I can´t breath”, o grito antirracista estadunidense que ainda ecoa nos nossos ouvidos e se refere ao assassinato por asfixia de George Floyd por um policial. O diretor parece dizer que o trauma de quem sofre preconceito racial se refere à cena que se repete no espaço social, é um acontecimento traumático que ocorre no território no qual o sujeito está inserido. Todo o dia há uma morte, seja a do nosso protagonista que acorda e tenta mudar algum elemento na cena violenta, como se ele estivesse em um sonho lúcido. A despeito de seu esforço, o seu destino social está pré-determinado: ele morrerá antes do anoitecer e pela bala e perseguição de um policial. É a mesma mensagem direcionada ao povo negro todos os dias. É disso que se trata o filme. E é isso que causa certa asfixia em telespectadores.

Há aqui um novo olhar sobre o conceito freudiano de pulsão de morte, a energia que vai além do princípio do prazer e busca o nirvana e a ausência de estímulos interno e externo. Se a pulsão de morte, no texto Freudiano, diz respeito a uma repetição intrapsíquica na qual o Eu busca retomar algum controle sobre a situação que causou desequilíbrio e sofrimento, o filme nos mostra que muitas vezes, a instalação do trauma vai além do intrapsíquico e está nas condições oferecidas pela sociedade capitalista e por uma racismo estrutural. Todos os dias um policial persegue e mata um negro e o nosso protagonista experimenta na sua própria pele estas mortes diárias; escuta e assiste pelas mídias sociais sobre o assassinato de seu povo. Há repetição intrapsíquica no sonho traumático que revive a cena angustiante e há repetição interpsíquica nos atos repetitivos na vida real do cidadão de bem. Ou seja, é no laço social que se produz a repetição e que posiciona subjetivamente as pessoas negras em situação de ameaça, no caso dos Estados Unidos da América, independentemente de sua profissão ou classe socioeconômica. É possível afirmar, então, que a grande inovação da película Dois Estranhos está na aproximação entre a linguagem cinematográfica e a linguagem do sonho traumático. Em sua forma e conteúdo, produz em espectadores a angústia da repetição, a angústia de quem não tem como escapar das perseguições policiais. Há, portanto, uma belíssima articulação entre forma e conteúdo no filme, ao apresentar em sua estrutura narrativa a própria estrutura do sonho traumático como repetição da cena que causou e causa a angústia – a luta por uma posição subjetiva para sair da experiência vivida de modo passivo para uma posição ativa frente ao que causa dor. Luta inglória, pois, no final do média-metragem, há a aproximação com a linguagem de um documentário ao serem apresentados os nomes completos das pessoas que foram assassinadas e as condições de morte de cada uma delas em confronto com a polícia estadunidense.

A maneira antiga de contar a história está na estrutura do filme que repete a da película O Feitiço do Tempo (1993), e que remonta ao dia da marmota, estrelada por Bill Murray. Na trama, o protagonista, que é um jornalista do clima-tempo na televisão americana, está preso toda a manhã a vivenciar a mesma cena que se repete. Ou seja, o protagonista está preso ao tempo ao noticiar sobre o clima. No média-metragem aqui em foco, o protagonista está preso ao tempo e ao espaço que desenha um destino de morte violenta da qual ele não consegue escapar, a despeito de seus esforços para tal. Ele reflete sobre seus atos, sobre seus gestos e tenta mudá-los a tempo para se safar do seu destino trágico, mas o racismo estrutural aplaca tudo, inclusive o desejo do sujeito de escapar do círculo vicioso de violência que ele foi lançado ao nascer, ao nascer de pele negra.

Desde que nós, autoras deste texto, todas mulheres brancas, começamos a refletir sobre a escrita baseada em Dois Estranhos, passaram-se eventos, no nosso país de origem, o Brasil, que apenas reforçam os números da tragédia que nos atravessa: um ano da morte do menino Miguel, em Recife, cuja mãe, empregada doméstica negra, ainda não obteve justiça sobre a negligência por parte da patroa branca de classe alta; a oferta do Carrefour à família de Beto Freitas, morto por seguranças do supermercado em Porto Alegre, de valor semelhante ao ofertado no caso do cão morto em outro supermercado da rede; o caso de Kathlen, a jovem grávida morta numa ação da polícia do Rio de Janeiro na comunidade onde vivia sua família (e se formos falar em ações da polícia em comunidades, a lista se assemelhará àquela apresentada ao final do curta), o rapaz negro acusado de ter roubado uma bicicleta elétrica por um jovem casal branco no Leblon, que a ele pertencia. O verdadeiro autor do furto, descobriu-se depois, era um rapaz branco, morador do bairro de Botafogo, também na zona sul do Rio, e que destravou tranquilamente a bicicleta sem fazer-se notar. E sabemos que, até a conclusão e publicação do texto, haverá muito mais a ganhar notoriedade, isso sem contar com as que nem viram notícia.

Se o filme tem como cenário a cidade americana de Nova Iorque, o tema é, para nós, Brasil afora, familiar. Expor o racismo no Brasil não tem sido tarefa fácil a quem tem se dedicado a isso; através de movimentos negros, intelectuais e instituições visam a promoção de uma verdadeira reparação histórica. Nós, brancas e brancos, vamos sendo convocados a pensar nosso lugar e em nossa responsabilidade, a fim de fazer com que essa reparação aconteça de fato. Trata-se, inclusive, como percebemos em algumas ‘boas intenções’, de se despir da figura de branco salvador. Permanecer neste lugar seria apenas manter um status quo, com a ideia de que há um grupo dominante. Há que se realizar um movimento reflexivo na direção de questionar os privilégios da branquitude, nem que seja aquele de andar tranquilamente pela rua sem medo de ser abordada e violentada por um policial (ou mesmo o de poder sequer pensar sobre isso, por não chegar a nos atingir). Cabe destacar que, no mês de junho, a jornalista Bianca Santana pediu demissão do jornal Folha de São Paulo por ter se cansado de não ser escutada por seus pares, ao discordar da forma como as notícias sobre o assassinato de jovens negros eram divulgadas e veiculadas. Ao invés de explicitar a violência policial, apenas deixavam visíveis a vulnerabilidade dos negros (Santana, 2021). A matéria foi intitulada: “Passar pano para o genocídio negro, não em meu nome”.

Posto isso, vamos ao filme.

Um casal negro amanhece na cama. Logo o ambiente nos indica que se trata de pessoas em boa condição econômica. Um belo apartamento, a decoração, um cão sendo alimentado no outro canto da cidade através de um gadget moderno e provavelmente caro. E por que não começar esse parágrafo dizendo apenas ‘um casal amanhece…’? Deivison Nkosi Faustino, autor do livro “Frantz Fanon – Um revolucionário, particularmente negro”, em uma de suas apresentações destacou o seguinte: O negro não é homem. Ele sempre será um homem negro que, segundo Fanon, traz seu corpo e sua cor antes do homem. E é justamente sua cor que ditará como será sua relação com outro homem, o policial que o aborda e o mata. E o aborda e o mata. E assim o fará por uma centena de vezes. 

Parece ser uma manhã qualquer após uma noite de amor e sexo entre parejas que se conheceram na noite anterior e há constrangimento e estranhamento ao acordarem de manhã, pois há toda uma intimidade a ser construída. Talvez aqui esteja um dos estranhamentos que dá título ao filme, o outro incômodo se dará no desenrolar da trama entre o protagonista e um policial. Pois bem, o casal se despede acenando para um possível próximo encontro e o rapaz vai para a rua. Acende um cigarro, deixa cair algo. É quando o policial, um típico homem branco anglo-americano, em se considerando seu fenótipo de cabelos loiros e olhos claros, se aproxima e logo questiona o que ele estaria fumando, insinuando ser um cigarro de maconha. O rapaz leva em seu bolso um grosso maço de dinheiro e imediatamente é acusado de estar envolvido com o tráfico. Uma mulher, latina, filma tudo pelo celular, assim como foi filmada a ação policial que impediu George Floyd de respirar, até morrer. O policial exige ver o interior da mochila. O rapaz se recusa. O movimento corporal do jovem é tido como uma ameaça e o resultado dado é um tiro que lhe tira a vida. No momento seguinte, vemos a cena do amanhecer na cama se repetir. Um pesadelo, pensamos nós. E também pensa o rapaz, que acorda assustado. Vemos, mais uma vez, a cena na rua. O cigarro, o dinheiro, a abordagem policial, o tiro. E voltamos à cena na cama. A confusão entre o que poderia ser um pesadelo dentro de um pesadelo se alia a uma descrença no que aconteceu, mais uma vez. A realidade toma forma e toma força. Desta vez, o rapaz tenta mudar algo. Toma cuidado para nada lhe cair dos bolsos, esconde melhor o dinheiro. Cautelas que sabemos, são comuns a quem, por conta de seus corpos negros, terão maiores chances de serem abordados por policiais ávidos em encontrar em suas mochilas e em seus corpos algo que lhes incrimine. Mas isso não impede que o policial, mais uma vez, o mate. A cada encontro entre esses dois estranhos, o jovem tenta mudar algum detalhe. Revela ao policial que pode antecipar o que acontecerá nos segundos seguintes. O policial parece estar curioso, se surpreende, mas o resultado ainda é o mesmo. 

As tentativas de mudança, ilustradas pelas tentativas feitas pelo rapaz, deixam evidente que ele, só, não transformará a sina que lhe sobrecai. Ainda quando resolve não sair às ruas, pensando estar mais protegido no ambiente privado, a porta é arrombada por policiais que o matam antes de perguntar seu nome que, por ser negro, é sempre suspeito de algum crime e, por isso, também, sem tempo de averiguação da identidade antes da morte. Enquanto o policial que representa, afinal, o sistema, também não mudar, o resultado seguirá se repetindo. Em uma das tentativas, o rapaz tenta o diálogo, convence o policial a levá-lo no carro de polícia até onde ele vive e, por um breve momento, parece ganhar uma história singular e muito longe das generalizações que dão sustentação às artimanhas do racismo. O policial desconfia dessa aproximação, não aceita ser colocado no mesmo nível, por assim dizer, humano, daquele rapaz negro. Para ele, o rapaz precisa permanecer onde está para que ele próprio, o policial, o sistema, se garanta em seu lugar. Alveja o jovem diante da porta de sua casa. A poça de sangue leva às origens, na forma do mapa do continente africano. Um continente sobre o qual sabemos pouco e nos preocupamos pouco em buscar saber. Não raro, inclusive, tratamos como um país, como se houvesse uma unidade histórica e cultural que, na verdade, não existe e nunca existiu.

“Quando os brancos chegaram, nós tínhamos as terras e eles a Bíblia; depois eles nos ensinaram a rezar; quando abrimos os olhos, nós tínhamos a Bíblia e eles as terras”. A frase atribuída ao fundador da República do Quênia, Jomo Kenyatta, ilustra este ponto. Quando falamos de reparação histórica é preciso compreender a história. Pessoas foram escravizadas e arrancadas de seus lugares durante o período colonial, graças a uma narrativa que justificava a escravidão como parte de um processo de ampliação tida natural dos territórios europeus. O homem europeu seria o civilizado, o que leva a palavra cristã aos pagãos, aos tidos incivilizados. Assim, nesse processo, indiscutivelmente, foi muito mais do que nas terras que aconteceu a desapropriação realizada pelo colonizador com sua Bíblia e suas armas, pois, para haver tal dominação, é preciso criar a ideia de que um grupo é superior ao outro, seja pelos hábitos culturais, pela condição econômica, pela origem, pela cor da pele. O que estiver disponível para ser usado com tal finalidade assim o será, enquanto houver algum interesse de dominação. E a dominação fica muito mais facilitada quando, de um povo, é retirado todos os seus referenciais, inclusive os culturais. Foi assim que aconteceu com milhares de pessoas, por séculos, sequestradas e levadas a portos na costa ocidental Africana, como o da região onde hoje se situa Benin, para serem comercializadas como mercadorias e transportadas como cargas em navios negreiros rumo ao Novo Mundo. Nesse referido mercado, por exemplo, antes do embarque havia um ritual em torno de uma árvore (A árvore do esquecimento) para um apagamento da memória. Deveriam deixar para trás, portanto, suas terras, mas, também, suas identidades culturais e lembranças geográficas. 

As ações de dominação de um grupo sobre o outro deixaram mais do que traços em nossa civilização atual, mesmo após os processos abolicionistas que garantiram a liberdade às pessoas escravizadas, até então, consideradas animais a serem explorados, vidas que deviam servir, exclusivamente, aos interesses do colonizador branco. Aquele que eu não posso amar, o estranho, o diferente, será meu inimigo. Desta forma, quanto mais diferenças forem construídas, maior será a ideia de estrangeiridade e de inimizade. 

Voltamos às nossas responsabilidades para que haja mudanças efetivas. Para isso, precisamos desconstruir o racismo estrutural, desde sempre, em todas as nossas relações e ações. O racismo é um produto da construção de um sistema de dominação. A luta anti-racista americana tem sido icônica e data de um período muito anterior a quando Martin Luther King (1929-1968) dizia ter um sonho de igualdade e, por isso mesmo, foi eliminado pelos dominadores. ‘Como ele ousa?’, diria o dominador. Em 1851, a ativista abolicionista afro-americana Sojouner Truth, questionava a ideia da mulher universal , trazendo as especificidades de raça e classe, no célebre discurso “Não sou uma mulher?”, proferido na Women’s Rights Convention em Akron, Ohio

Mais de um século depois, Angela Davis nos apresenta a fala necessária para a transformação que ainda parecia distante: ‘Não basta não ser racista. É preciso ser antirracista’. E isso significa que nós, brancos, também precisamos mudar o curso da história. Também precisamos questionar o legado histórico de dominação e privilégio com o qual compactuamos, reproduzimos e que nos locupleta, há séculos. Uma raiz histórica que impacta nossas subjetividades e nossas relações com o outro e com o mundo. História que foi construída de modo perverso e que precisamos enfrentar, Ou, também, estaremos juntos, nessa constante repetição, mas, no caso, seremos o que representa, no filme, o policial. 

Referências:

Freud, Sigmund. Obras Completas: Além do Princípio do Prazer (1920). Trad. Paulo Cezar Souza. São Paulo: Cia das Letras, 2010a. v. 14

Freud, Sigmund. Obras Completas: Introdução à Psicanálise das Neuroses de Guerra (1919). Trad. Paulo Cezar Souza. São Paulo: Cia das Letras, 2010b. v. 14

Ramis, Harold. (Diretor). O Feitiço do tempo. [Filme] Columbia Pictures, 1993.

Santana, Bianca. Passar pano para o genocídio negro, não em meu nome. Publicado em 9 de junho de 2021. EcoaUol. Disponível em:  https://www.uol.com.br/ecoa/colunas/bianca-santana/2021/06/09/passar-pano-para-o-genocidio-negro-nao-em-meu-nome.htm. Acesso em 14 de julho de 2021.Truth, Sojourner. E não sou uma mulher? Tradução de Osmundo Pinho. Disponível em: http://www.geledes.org.br/e-nao-sou-uma-mulher-sojourner-truth/#gs.h8jBXJA. Acesso em 14 de julho de 2021.

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