Tecendo a Trama

Espaço pra contar histórias e dividir impressões sobre o lido, assistido, inventado, experienciado, cantado ou ouvido. Tecendo a trama do cotidiano.

Documentário – De Gravata e Unha Vermelha

Por Ana Lucia Gondim Bastos

 “Com amor no coração, preparamos a invasão.

Cheios de felicidade, entramos na cidade amada (…)

Alto astral, altas transas, lindas canções
Afoxés, astronaves, aves, cordões
Avançando através dos grossos portões
Nossos planos são muito bons”

Doces Bárbaros

Não pude deixar de ouvir e entender os entrevistados, do já premiado documentário “De Gravata e Unha Vermelha (Chnaiderman, 2014), como vozes dos novos mais doces bárbaros! Pessoas que, com muita alegria, disposição e amor no coração, invadem a vida cotidiana da cidade com formas diversas de se definirem identitariamente, no tocante à questão de gênero. Saindo do registro binário macho/fêmea que trazemos da biologia, nossos mais novos doces bárbaros apresentam, também, novas (e as velhas) formas de expressão subjetiva, se fazendo valer de múltiplos jeitos de se vestir, de se portar e de se relacionar com os espaços públicos, em discursos que se abrem para a diversidade da/na condição humana. A diretora Mirian Chnaiderman, como boa psicanalista, deixa que a voz dos entrevistados seja ouvida, inclusive por eles mesmos! São falas que ora se apresentam dissonantes, contando de experiências bem particulares, e ora bastante congruentes, principalmente quando os relatos se referem às situações de preconceito e não aceitação social das manifestações da diversidade de identidade de gênero. Cada um contando do seu jeito, da sua história, das suas impressões e de seus lugares sociais. Histórias diversas de experiências diversas que convergem na abertura para diversidade, própria do gênero humano. Difícil não sair tocado do filme e admirando a diretora que aparece pouco, mas deixa seu gesto claro na abertura de espaço para que o outro fale e pense sobre sua experiência. Distante dos rótulos ou das interpretações mirabolantes, Chnaiderman – como uma “engenheira do Havaí” – nos mostra que “somos quem podemos ser. Sonhos que podemos ter”. Um bom filme para o momento atual. Momento de reconhecimento, inclusive legal, do que já cantava Milton nos idos anos 70, “Qualquer maneira de amor vale a pena/ Qualquer maneira de amor vale amar (…) Qualquer maneira de amor vale o canto. Qualquer maneira me vale cantar”!

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Publicado em 27 de junho de 2015 por .
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