Tecendo a Trama

Espaço pra contar histórias e dividir impressões sobre o lido, assistido, inventado, experienciado, cantado ou ouvido. Tecendo a trama do cotidiano.

Cadernos de Colorir com sotaque do Brasil

Por Ana Lucia Gondim Bastos

Na vida adulta, o primeiro livro de colorir que ganhei, veio numa linda caixa em formato de Matrioska na qual, como no caso da boneca russa, vários livrinhos de diferentes tamanhos e mesmo formato, encontravam-se dentro. Um deles, era de colorir. Em cada página, do tal livrinho de colorir, uma boneca diferente, estava ali desenhada para receber minhas cores. Levei para uma viagem longa e passei algumas horas compartilhando as mastrioskas com uma criança e com uma adolescente, parceiras de viagem. Foi divertido escolher a combinação de cores, enquanto contávamos histórias inventadas para cada uma delas.

Anos depois, as livrarias se encheram de livros que traziam desenhos a serem coloridos, atingindo público de toda idade. Achei uma boa ideia e uma boa justificativa, para quem sempre se sentiu seduzido por caixas de lápis de cor, mas, não sabia muito bem o que fazer com elas, àquela altura da vida. A única coisa que me chamou atenção negativamente era o fato de serem apresentados como antídoto para o estresse, ou uma espécie de auto-ajuda da arte-terapia. Ora, cada um sabe o que é desestressante para si, em função dos sentidos construídos vida afora. Fiquei me perguntando, então, por que temos tanta necessidade de buscar justificativas “nobres” para nossos passatempos? Aliás, diga-se de passagem, quem se permite ter passatempos despretensiosos, via de regra, já é menos estressado do que quem está sempre fazendo coisas cujas utilidades práticas parecem evidentes. Passatempos que podem, inclusive, contar com um momento de espalhar lápis de cor numa mesa e ficar pintando desenhos de outrem, numa espécie de coautoria do livro para colorir. Penso até que esse deve, mesmo, ser o intuito de quem se dedica a escolher desenhos para que os outros pintem: Contar com um sem número de coautores para seus livros, muitos deles, desconhecidos. Saber que seu desenho voou e que alguém, em algum lugar do planeta, está o completando com cores muito próprias, em função da emoção que aquele desenho despertou, me parece fascinante, por si só!

Há duas semanas, fui convidada para o lançamento de dois cadernos de colorir, que trazem no subtítulo, apenas, “com sotaque do Brasil”. Duas artistas plásticas – Aurélia Cerulei e Rachel Hoshino – que trazem, em suas histórias, bagagens e trabalhos, as cores de imigrações recentes, por um lado, e por outro, as do pertencimento à cultura brasileira, resolveram oferecer seus traçados para que outras pessoas coloquem cores próprias. Achei um convite encantador,  para um encontro muito bonito! O convite de passear com minhas cores nos traços delas. Convite generoso, de se agradecer de coração!

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Publicado em 29 de setembro de 2015 por .
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