Tecendo a Trama

Espaço pra contar histórias e dividir impressões sobre o lido, assistido, inventado, experienciado, cantado ou ouvido. Tecendo a trama do cotidiano.

Documentário – Em Busca de Iara

Por Ana Lucia Gondim Bastos

Iara Iaverberg passou a fazer parte de minha história em 1992, quando ingressei no curso de psicologia da Universidade de São Paulo. O Centro Acadêmico do curso que daria contorno à minha identidade profissional, levava seu nome, e, sua foto, faria parte do meu cotidiano, desde então. Sabia algumas poucas coisas acerca de sua vida: Iara teria sido colega de alguns de meus professores, companheira de Carlos Lamarca e teria morrido, vítima da ditadura, um mês antes de meu nascimento,

21 anos depois, sua sobrinha, Mariana Pamplona, nos oferece um roteiro de documentário que revela muito do que esteve por trás daquela foto, daquele nome e daqueles fatos, todo esse tempo (Em Busca de Iara, realizado em parceria com Flavio Frederico, 2013). Mariana nasceu pouco depois de mim. Não levou o nome da família Iavelberg, para ser protegida. Mas, nunca podemos ser protegidos de nossa história e foi, atrás dela, da sua história, que Mariana se propôs a ir. A história oficial dizia que Iara teria s suicidado. Mariana não acreditava, achava que a tia fora morta pela ditadura. Na verdade, de todo modo o foi, mas, ela queria saber mais, queria os detalhes, queria saber como! Precisava saber se Iara teria desistido em algum momento.

Percebi que apesar de Iara ser tão familiar, sua história era, ainda, muito nebulosa, como o é, a história de tantos familiares, principalmente mulheres… O percurso que Mariana nos ofereceu, foi um percurso árido, dolorido, mas que, ao final, nos sentimos mais próximos de Iara. Daquela que esteve sempre tão presente e de forma tão silenciosa. Daquela mulher que não era apenas a companheira de Lamarca. Era Iara, mulher cheia de sonhos e ideias e que construiu toda uma narrativa que a levou até aquele endereço, onde foi morta. Uma história que cruzou a de Lamarca e que rendeu lindas cartas de amor. Talvez tenha rendido, também, muita esperança de reencontro e de possibilidade de viver esse amor livremente, num novo contexto.

Quem sabe… nenhum dos dois ficou para contar a história. Mas, Marina não deixou que a história fosse contada de qualquer jeito ou de um jeito só, muito menos que fosse calada! Mariana foi atrás das versões, das informações, foi atrás de qualquer dica ou pista de sua (nossa) história perdida. E, foi assim, que nos presenteou com um documentário que dá vez e voz à Iara… à nossa Iara! Obrigada, Mariana!

IARAIAVELBERG

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Publicado em 20 de novembro de 2015 por .
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