Tecendo a Trama

Espaço pra contar histórias e dividir impressões sobre o lido, assistido, inventado, experienciado, cantado ou ouvido. Tecendo a trama do cotidiano.

Filme – Blade Runner 2049

Por Ana Lucia Gondim Bastos

Às vésperas de chegarmos ao futuro desenhado por Ridley Scott em 1982 (com roteiro escrito por Hampton Fancher e David Peoples, Blade Runner se passa na California de 2019), ganhamos,  uma ainda sombria, mas, também, poética, continuação da saga, agora sob a  batuta do talentoso Denis Villeneuve. Nesse mundo no qual a realidade virtual e a vida artificial se mesclam e se confundem com a natural, ou, usando as metáforas de inspiração religiosa do próprio filme, no qual as criações divinas e as humanas se equiparam e ganham indistinção, uma nova geração de replicantes é criada, pela mesma Corporação Tyrell. Da geração passada, a qual o blade runner Rick Deckard (Harrison Ford) precisou encarar, poucos replicantes ainda resistem. Para rastrea-los e “aposenta-los”,  novos replicantes foram criados, mais servis e obedientes, minimizando a possibilidade de rebeliões ou maiores reflexões existenciais. Nomes, memória e narrativas são simplificadas e melhor controladas, para que isso aconteça. K (Ryan Gosling) é o caçador de andróide da vez, no caso, sabendo-se, também, androide, não apresenta conflito para realizar a missão de aniquilar semelhantes de gerações passadas. Contudo, numa dessas empreitadas, na fazenda do replicante da velha guarda Sapper Morton (Dave Bautista), K se depara com o milagre, é revelado que a replicante Rachel (Sean Young), aquela que parte com Deckard em 2019, foi capaz de gerar uma vida. Suas memórias (ainda que implantadas artificialmente) foram capazes de faze-la acreditar, no  amor, no sorriso e na  flor e, então, sonhar em se projetar num futuro diferente. O filho da replicante passa, então, a representar um perigo e uma esperança. Aquele que pode redimir e romper com a lógica vigente. É por ele, ou na sua busca, que o blade runner de ontem se encontra com o de hoje. É por ele que K, busca sua história e aceita um nome. É por ele que começa a não ser mais possível apenas obedecer e viver uma repetição sem fim. Villeneuve, seguindo uma respeitosa e cuidadosa coerência (inclusive estética) com o filme de 1982, amplia e aprofunda as reflexões acerca do que nos torna humanos e acerca de como fazer para que não percamos a humanidade, inebriados pela  sedução, que a possibilidade  nos sentirmos deuses, exerce em cada um de nós.

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Publicado em 2 de novembro de 2017 por .
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